Dra. Carolina Valente – Cirurgia Vascular e Endovascular em Teresópolis – RJ

Varizes são veias dilatadas e tortuosas que se formam quando suas válvulas, responsáveis por evitar o refluxo do sangue, não funcionam corretamente. Essa disfunção faz com que o sangue se acumule, resultando no alargamento e na dilatação da veia.

Imagine suas veias como rios que transportam o sangue de volta para o coração. Dentro desses “rios”, existem pequenas comportas, chamadas válvulas, que garantem que o sangue flua em uma única direção. Quando essas válvulas não funcionam corretamente, o sangue começa a se acumular, fazendo com que as veias se dilatem, tornando-se tortuosas e visíveis. São essas veias dilatadas e salientes que conhecemos como varizes. Elas são mais comuns nas pernas e pés, pois são as áreas do corpo onde a gravidade dificulta mais o retorno do sangue ao coração. É por todas essas alterações e agentes externos nesta região que apelidamos as panturrilhas de “coração dos membros”, pois elas são essenciais no retorno venoso do sangue das extremidades para a circulação central, para depois ser bombeado, oxigenado e enviado para todo o corpo. 

O tratamento de varizes vive uma evolução constante, distanciando-se cada vez mais das cirurgias invasivas e prolongadas do passado. Essa modernização é impulsionada por inovações tecnológicas que permitem abordagens menos agressivas, mais seguras e com resultados estéticos mais satisfatórios para o paciente. Antigamente, a única opção era a cirurgia convencional, que envolvia a retirada da veia (safenectomia), exigindo anestesia raquidiana ou geral, internação e uma recuperação mais demorada. Hoje, o foco está em procedimentos minimamente invasivos, como o laser transdérmico quando conseguimos tratar o caso em consultório, a escleroterapia química também realizado em consultório e abrangendo diferentes calibres de varizes, ou o laser endovenoso e a radiofrequência, que em casos cirúrgicos, tratam as veias doentes por dentro.

A busca por um especialista é o primeiro e mais importante passo. O cirurgião vascular é o médico com o conhecimento completo da anatomia e funcionalidade do sistema circulatório, sendo capaz de realizar um diagnóstico preciso e indicar o tratamento ideal no momento certo. O diagnóstico tardio e o tratamento inadequado podem levar a complicações sérias, como manchas e pigmentação da pele dos membros, sangramento recorrente dos veias varicosas, úlceras de difícil cicatrização, trombose venosa (formação de coágulos) e até embolia pulmonar, um quadro grave que ocorre quando um coágulo se solta e vai para o pulmão. 

Enquanto profissional qualificada, além de dominar as técnicas mais modernas, irei orientar o paciente sobre como prevenir o retorno das varizes, acompanhá-lo periodicamente visto se tratar de uma doença crônica e assim garantir um tratamento e seguro e resultado duradouro, afastando as principais complicações da doença venosa crônica.

Como identificar?

A suspeita na maioria das vezes parte do paciente. Ao identificar veias de maior calibre, saltadas, dilatadas e até dolorosas, decidem então buscar o cirurgião vascular. É importante dizer que mesmo sem veias aparentes ou que gerem incômodo estético, caso o paciente tenha sintomas como dor, sensação de peso ou cansaço dos membros inferiores, inchaço das pernas, história familiar de varizes ou úlcera crônica, deve procurar o especialista.

O diagnóstico começa com uma anamnese detalhada, coleta da história e evolução da doença, antecedentes do paciente e seus familiares e avaliação clínica detalhada. Pode ser confirmado por exames de imagem, como o Ecodoppler. Esse exame não invasivo utiliza o ultrassom com doppler para avaliar as características, diâmetro e profundidade das veias acometidas, visualizar o seu fluxo sanguíneo, permitindo identificar o grau de comprometimento, sobrecarga de vasos próximos e então planejar o tratamento adequado.

Muitas pessoas tendem a encarar as varizes apenas como um problema estético, deixando de lado o acompanhamento médico. É crucial entender que as varizes são uma doença crônica e de piora progressiva. Ignorar os primeiros sinais pode levar a complicações sérias no futuro, como dor crônica, inchaço nas pernas, escurecimento da pele, e o surgimento de feridas de difícil cicatrização (úlceras venosas). Vários estudos e artigos científicos têm demonstrado que a qualidade de vida de indivíduos com úlcera venosa crônica pode ser tão prejudicada quanto a de pacientes com insuficiência cardíaca grave. A comparação serve para destacar o impacto significativo e muitas vezes subestimado da úlcera venosa na vida do paciente.

A úlcera venosa crônica é uma ferida de longa duração que não cicatriza facilmente e é causada por problemas de circulação. A dor constante, o mau odor, a necessidade de curativos frequentes e a dificuldade de mobilidade afetam profundamente a saúde mental e o bem-estar social. Essa condição pode causar depressão, isolamento social e limitações nas atividades diárias, impactando negativamente a autoestima e a capacidade de trabalho do indivíduo.

Além do maior risco de evoluir com trombose venosa conforme a cronificação da doença varicosa. A trombose venosa ocorre quando um coágulo de sangue se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas. Essa condição causa dor, inchaço, vermelhidão da área acometida devido à obstrução do retorno venoso causado pelo coágulo naquela região. Esta patologia é perigosa porque o coágulo pode se soltar e viajar pela corrente sanguínea, causando uma embolia pulmonar, que é uma complicação grave e potencialmente fatal.

A presença de varizes contribui para esse risco por uma razão principal: o fluxo sanguíneo lento (estase venosa). Em veias varicosas, o sangue não circula de forma eficiente devido às válvulas danificadas, o que favorece a formação de coágulos. Quando o coágulo se forma em uma veia varicosa, o quadro é chamado de tromboflebite, mas essa inflamação superficial pode evoluir para a trombose venosa profunda, especialmente se a veia varicosa estiver conectada ao sistema venoso profundo. 

A avaliação e o tratamento adequado das varizes, e porventura das suas complicações, por um cirurgião vascular são essenciais para uma melhor qualidade de vida e reduzir o risco de complicações a médio e longo prazo.Por isso, ao notar os primeiros vasinhos ou veias saltadas, procure um cirurgião vascular. O tratamento em estágios iniciais é mais simples, menos invasivo e mais eficaz, prevenindo o avanço da doença e garantindo a saúde, bem estar e autonomia do paciente.

E por que eu posso te ajudar?

Me chamo Carolina, sou médica cirurgiã vascular.
Realizei minha residência em Cirurgia Vascular e Endovascular com o renomado Dr. Arno von Ristow, onde aprofundei meus conhecimentos dentro da especialidade, tive contato com técnicas e tecnologias de ponta e participei de diversas cirurgias, sempre com o propósito de controlar doenças vasculares e proporcionar mais qualidade de vida aos pacientes.

Acredito que a medicina é uma jornada de aprendizado constante. Por isso, busco continuamente novas especializações, participo de congressos e cursos e me dedico ao aperfeiçoamento de técnicas que possam oferecer tratamentos mais eficazes, seguros e confortáveis.

Me especializei no cuidado das varizes junto ao grupo do Hospital Vascular de Londrina, onde aprendi as técnicas termoablativas e o que há de mais atual no tratamento minimamente invasivo dessa condição tão comum. Sigo me aprimorando e atuando nessa área, que muitas vezes é negligenciada, mas que, quando diagnosticada e controlada adequadamente, pode trazer um impacto profundo na saúde, no conforto e na autoestima dos meus pacientes.

Meu compromisso é cuidar da sua saúde vascular de forma integral, ajudando cada pessoa a viver mais — e melhor — com equilíbrio, bem-estar e confiança.

E o tratamento?

Para cada tipo, coloração e tamanho de variz, há uma técnica melhor indicada. E hoje conseguimos combinar várias para alcançar o melhor resultado possível.

Laser transdérmico ou escleroterapia térmica: O laser transdérmico é uma variação moderna da escleroterapia, um tratamento usado para eliminar vasinhos e pequenas varizes. A principal diferença é que ele não usa injeções; em vez disso, utiliza a energia do laser para tratar o vaso. A proposta central dessa tecnologia é causar uma lesão térmica (ou seja, por calor) no vaso sanguíneo, fechando-o de forma segura e eficaz. Um aparelho de laser, similar aos usados para depilação, emite feixes de energia através de uma ponteira que é colocada em contato com a pele. Essa energia do laser penetra nas camadas mais profundas da pele, com objetivo vaso doente. O laser age emitindo pulsos de energia controlados. Essa energia é absorvida pelo sangue dentro do vaso, convertendo-se em calor. Esse calor causa uma inflamação na parede do vaso e faz com que ele se feche ou “seque”. Uma das grandes vantagens dessa técnica é que o laser é altamente preciso. Ele foi projetado para atingir especificamente o vaso, sem danificar os tecidos que estão ao redor dele.

Escleroterapia química: É o tratamento químico de vasos, seja por espuma densa ou líquida. É uma técnica ampla, que permite o tratamento desde microvarizes a veias mais calibrosas e até casos associados a feridas. O princípio básico da escleroterapia é induzir o fechamento e a “secagem” da veia doente. Isso é feito por meio da injeção de uma substância esclerosante diretamente no vaso sanguíneo afetado. O medicamento injetado (que pode ser uma solução líquida ou em forma de espuma) causa uma reação inflamatória controlada na parede interna da veia. Essa inflamação faz com que as paredes da veia se colem, interrompendo o fluxo de sangue no local. Com o tempo, o corpo absorve a veia danificada, que desaparece gradualmente. O sangue, então, é naturalmente redirecionado para veias saudáveis próximas.

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Termoablação: Técnica que utiliza a emissão de calor pela fibra utilizada para cauterizar veias doentes. Procedimento minimamente invasivo utiliza a energia do laser para tratar veias varicosas mais calibrosas, como as veias safenas e suas ramificações. Um cateter fino é inserido na veia e, ao ser ativado, emite calor (termoablação) que causa o fechamento da veia doente. O corpo, então, absorve essa veia com o tempo, e o sangue passa a fluir por outras veias saudáveis. O procedimento é rápido e oferece um excelente resultado estético e funcional. O procedimento se dá pela punção das veias alvo, com isso não são necessárias incisões cirúrgicas. O que reduz o tempo de recuperação do paciente, é menos doloroso e tem menos taxas de complicações.

Os resultados da escleroterapia, seja ela térmica ou química, não são imediatos. A veia tratada pode ficar mais escura e visível logo após o procedimento, mas tende a desaparecer nas semanas seguintes, conforme o corpo a absorve. Geralmente, é necessário mais de uma sessão para alcançar o resultado desejado.

É fundamental que o procedimento seja realizado por um médico angiologista ou cirurgião vascular, especializado no tratamento de varizes, que fará uma avaliação completa para determinar o melhor tipo de tratamento para cada caso. 

Hoje já entendemos que a associação de terapias é o que nos proporciona melhores resultados e mais duradouros. Por se tratar de uma doença crônica e ter diferentes apresentações e áreas acometidas, cada vasinho ou variz deve ser avaliado e ter a melhor terapia indicada. 

Por mais que o tratamento de varizes tenha se popularizado como “aplicação em vasinhos”, ele não é algo tão simples assim. Tratamentos tidos como simples ou puramente estéticos são negligenciados e em geral são aqueles que carregam que os pacientes relatam “já tratei minhas varizes, fiz várias aplicações mas elas sempre voltam”. Quando na verdade, a doença nunca foi adequadamente tratada e não deixou de existir. A insuficiência venosa crônica, causadora das varizes, precisa ser avaliada de forma detalhada, tratada e acompanhada.

O que os pacientes falam:

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